CELG – crise atual evidencia problema presente e futuro

Por José Vitti, deputado estadual

Nestes últimos dias, temos observado que a CELG é tema recorrente em reportagens e entrevistas na mídia goiana. E, qual o por quê de tamanha evidência da nossa distribuidora energética estatal? Por certo, além da condição pré-falimentar decorrente de uma crise financeira que arrasta a empresa no vermelho há anos seguidos, estamos em período eleitoral e, tema de tamanha relevância, por certo, será incorporado aos debates políticos do momento.

Em artigo anterior sobre o assunto, tivemos a oportunidade de ressaltar a fase épica e promissora que envolveu os primeiros anos de Cachoeira Dourada e da CELG quando fundadas há mais de 50 anos, matrizes do nosso sistema energético regional. Hoje, o que se vê é uma empresa sucateada anos a fio por más gestões, em que se preteriu a gestão técnica pela ingerência política.

Há quem diga que não devemos ficar a lamentar eternamente o passado, “chorar o leite derramado”. Mas o que aconteceu com o complexo Cachoeira Dourada/CELG não pode ser esquecido. O uso político da empresa e os desmandos, verdadeiros crimes de lesa patrimônio cometidos no curso de administrações desastrosas da estatal, não se deve apagar facilmente da memória dos goianos; é lição a ser apreendida, avaliada e exemplo corretivo para o presente.

Os reflexos do caos a que chegou a empresa se farão sentir na vida dos goianos até as futuras gerações. O prejuízo é presente, estamos “pagando a conta”, pois a economia goiana perdeu um dos maiores nichos de sua competitividade, que era justamente a geração e distribuição satisfatória de energia elétrica de origem hídrica.

É sabido que, na época da criação do sistema energético em questão, na virada dos anos 50/60, Goiás era um estado eminentemente agrícola, dizia-se que “tínhamos uma vocação agrária”, frente ao inevitável comparativo com os grandes centros industrializados do Sudeste do País. Pois bem, hoje, a realidade é outra, Goiás se industrializou, o agronegócio mecanizou-se, sofisticou-se; alçamos o patamar de 9ª economia nacional. Gerar e fornecer energia elétrica para sustentar todo este progresso é ponto crucial em qualquer planejamento de governo, seja ele de que sigla partidária for.

Quando se tenta captar a visão cautelosa em que o Brasil é observado pelo investidor estrangeiro, o item “custo Brasil” sempre vem à baila: carga tributária elevada, excesso de burocracia, corrupção, ausência de transporte intermodal. A estes quesitos, por certo, há de se agregar a questão da nossa geração de energia, em especial, a elétrica, de fonte hídrica, principal força motriz da indústria nacional. A crise de gestão que enfrenta o setor extrapola a fronteira regional, a própria Eletrobrás, gestora nacional do sistema, é deficitária, fechou o balanço de 2013 com um saldo negativo de R$ 6 bilhões, acresce-se a tal fato o desequilíbrio climático que vem afetando o planeta, o regime impreciso das chuvas e as bacias hidrográficas dele dependentes.

Muito bem, é neste cenário que Goiás terá que sustentar o seu desenvolvimento econômico nas próximas décadas. Refletindo com otimismo, o caos instaurado na CELG há de ser vencido, seja quando e como for. É este o anseio de todos os goianos, homem público ou representante do setor privado, empreendedor industrial ou simples usuário do sistema que precisa diuturnamente da luz e demais benefícios carreados pela energia elétrica.

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