Diversidade racial e cultural é marca na construção de Goiânia

 

Por José Vitti, deputado estadual

Nesta semana de aniversário, em que Goiânia completa 80 anos, um olhar para as nossas origens no mostra os caminhos preconizados por nossos antepassados, que construíram uma capital sob o signo da diversidade.

A Praça Cívica ostenta um dos cartões postais da Capital, o “Monumento às Três Raças”, assinado pela escultora Neusa Morais. A obra tem o visual impactante pela sua grandiosidade granítica e beleza estética, impressiona aos olhos de goianienses e visitantes. Diríamos, justa homenagem aos construtores de Goiânia, operários de diferentes origens que se dirigiram para o Planalto Central na década de trinta, do século passado, e materializaram o sonho de Pedro Ludovico.

Nós, brasileiros, formamos a nossa nacionalidade pela convergência de três raças: a indígena, autóctone, habitante primitivo do território, a branca, colonizadora, de origem europeia, e o negro, estrangeiro que “atravessou” o Atlântico para formar a principal mão de obra da produção interna, desde Cabral até o decreto imperial libertário conhecido como Lei Áurea.

É este o quadro no qual se construiu, e ainda se constrói, a sociedade brasileira, o da miscigenação de raças, costumes, religiões e tantas outras diversidades conjugadas. E é em frente a esta realidade histórica que está o grande desafio nacional: ‘Desenvolver-se igualitariamente, com o progresso e a renda nacional sendo partilhados, indistintamente, por todos aqueles que contribuíram com a sua genética para a formação do povo brasileiro’.

O genocídio imposto aos indígenas ao longo da colonização portuguesa e, após a independência, com a ocupação interna dos próprios nacionais, limitou-os a uma minoria hoje estimada em menos de um milhão de indivíduos, segundo dados de 2010 do IBGE. Em Goiás, pouco mais de dez mil, praticamente todos aculturados e vivendo em pequenas reservas, como em Aruanã ou dispersos pelas cidades ao “Deus dará”. Portanto, uma dívida histórica de difícil resgate. Cabe aos gestores públicos efetivar políticas que melhor os adéquem a esta convivência nacional, respeitando-se as suas particularidades culturais e, da mesma forma, a “sociedade branca”, para uma convivência harmônica entre todos e o exercício pleno da cidadania, com direitos e deveres a serem exercitados, compartilhados.

No entanto, o grande desafio pátrio ainda é a inclusão social igualitária dos afro-descendentes na nacionalidade brasileira e apagar-se por definitivo a “mancha do escravismo”, responsável, oficialmente, pela migração contabilizada de aproximadamente três milhões de africanos, que para cá vieram na condição de mão de obra compulsória até o século XIX. Pouco mais de um século após a Lei Áurea, as estatísticas demonstram que o negro e os seus descendentes representam a maioria nas prisões, na folha dos menores salários das empresas, nos índices de analfabetismo e, no mesmo diapasão, a minoria nos cargos diretivos, públicos e privados, nos bancos escolares.

Parabéns a Goiânia e a todos aqueles que levantaram os seus alicerces e idealizaram seu traço cultural e miscigenador. Aos que os sucederam, cabe preservar essas raízes e lutar por esse ideal.

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