Energia elétrica, um marco histórico para o desenvolvimento regional

Por José Vitti deputado estadual

Na visão de um simples trabalhador, que vive na periferia das grandes cidades, ou na zona rural, hoje eletrificada, a palavra indústria energética soa como sendo a eletricidade que propicia em seu lar a lâmpada elétrica, a geladeira, a televisão e demais utensílios domésticos que guarnecem a casa, segundo a possibilidade financeira de cada um. De outro modo, para um economista ou qualquer outro técnico em mercados, a mesma palavra poderá significar “ativos financeiros” que compõem o quadro da economia nacional e que estão sob as oscilações das bolsas de valores nos grandes centros financeiros do país.

Para o cidadão brasileiro mais informado e atento, fonte energética pode ser traduzida como sendo o processo responsável pela geração, administração e distribuição da energia que produzirá, não apenas a energia elétrica doméstica, mas todo um conjunto de força motriz, seja ela elétrica ou não, limpa ou poluente, capaz de movimentar a produção nacional, as fábricas, o maquinário do agronegócio, os transportes, e uma gama de tantos outros itens que fomentam a riqueza nacional.

Assim, para o homem contemporâneo, qualquer que seja a sua origem ou condição socioeconômica, o fator energético, a geração de energia a partir dos próprios recursos naturais disponíveis no planeta, a manutenção do sistema energético, o gerenciamento do setor pelo poder público constituído e, por fim, a correta utilização dos recursos disponíveis e a manutenção do mesmo, é interesse coletivo, é responsabilidade de todos.

Os avanços científicos da segunda metade do século XIX propiciaram à humanidade a migração das fontes de energias advindas da tração animal ou mecânica para sistemas propulsores autônomos como a eletricidade e o petróleo. O Brasil, face ao seu potencial hidrográfico, optou historicamente pela geração de energia a partir de recursos hídricos. As suas extensas bacias hidrográficas propiciaram o surgimento de grandes usinas hidroelétricas em todo o território nacional, notadamente a partir da década de 20 e, cujo auge, teríamos no chamado “milagre brasileiro” nos anos 70, tão apregoado pelos governos militares à época.

Nesse cenário, surge a usina hidroelétrica de Cachoeira Dourada, localizada no Rio Paranaíba, região sul do Estado de Goiás, originalmente uma estatal projetada para atender a demanda energética do Centro-Oeste Brasileiro, especialmente para dar sustentação, no final dos anos 50, ao projeto da nova capital federal. Tornar-se-ía a principal usina regional e motivo de orgulho para todos os goianos.

A seguir, na mesma esteira desenvolvimentista, seria implementada a administradora e distribuidora do sistema, as Centrais Elétricas do Estado de Goiás/Celg. Da mesma forma, uma estatal, como tantas outras nascidas no furor da saga estatizante tão em voga desde a Era Vargas [1930/45 e 1950/54] e, em Goiás, muito bem representada num extenso rol na gestão Mauro Borges [1961/64]. Pouco antes, no governo de José Ludovico, tio de Mauro e irmão de Pedro Ludovico, foi sancionada a lei estadual nº 1.087 criando a Celg.

Deste breve histórico, extraímos a importância que o sistema Cachoeira Dourada e a Celg viriam a representar na geração de força motriz elétrica para todos os goianos, sendo a principal fonte de abastecimento da energia elétrica consumida no Estado, tanto do ponto de vista doméstico como da produção industrial e do agronegócio. Infelizmente, a pujança de outrora não é a realidade atual, vendeu-se a Usina e a Celg encontra-se em situação pré-falimentar. Ao final, o tom de lamento ecoa como voz generalizada de protesto.

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